Aprenda a usar o termo politicamente correto

Atualizado: Mai 5

O presente texto tem como intuito conduzir o leitor a reflexão acerca do termo "politicamente correto".

Cresci ouvindo a seguinte frase "fulano é politicamente correto", a parte anarquista do meu ser, sempre imaginou que tal adjetivo era utilizado para qualificar um indivíduo tedioso e cheio de regras.

É um tanto quanto paradoxal cogitar que um indivíduo formado em direito, defensora dos direitos humanos e amante da positivação destes na Carta Magna venha revelar um lado anarquista, mas essa sou eu, um espírito paradoxo preso nesse corpo carnal.

Voltando à minha descoberta acerca do adjetivo em estudo, aos 16 anos estava lendo um livro de filosofia (um ser humano peculiar) e descobri o outro ou talvez o verdadeiro significado da palavra "politicamente correto", fato este que me deixou tão chocada que jamais esqueci.

Pois bem, antes de responder acerca da minha descoberta, é necessário compreender que o termo politicamente correto apareceu pela primeira vez com significado completamente diferente do qual utilizamos hoje. O conceito surgiu na China, nos anos 30 em consonância com a linha ortodoxa do Partido Comunista liderado por Mao Tsé-Tung.

O tempo se passou e os Estados Unidos nos anos 60 decidiram se apropriar do conceito, os universitários americanos tinham acabado de se debruçar na defesa dos direitos civis, tanto das mulheres quanto dos negros (algo lindo de se ver). A sociedade passava por transformações e as empresas e universidades anteriormente ocupadas de forma exclusiva por homens brancos passaram a conviver com mulheres, negros, homoafetivos e até mesmo imigrantes.

Para acalmar os ânimos foi necessário ensinar as pessoas a conviverem com as diferenças, por isso, foi necessário mudar a forma que cada grupo era adjetivado. Por exemplo, o negro passou a ser denominado como afro-americano, no Brasil utilizamos o termo afro-descendente. A "fag", pejorativamente denominado como "bicha" passou a ser denominado como gay, ou seja alegre.

A primeira vista é muito interessante perceber que as pessoas passaram a se preocupar com a forma que denominavam os outros indivíduos, evitando termos pejorativos. O problema reside no paradoxo, pois os mesmos jovens que visavam ampliar os direitos civilistas, também tinham o intuito de limitar a liberdade de expressão.

Com a queda do mundo comunista no início dos anos 90 o socialismo mudou a pauta dos grupos de esquerda, pois se antes o objetivo era lograr igualdade para reduzir a diferença entre classes sociais, a nova onda esquerdista tinha como pauta eliminar a estigmatização das pessoas por aquilo que elas são, pois segundo a ótica deles, não faz sentido aumentar o estigma social que cada grupo carrega, a obesidade passou a ser denominada como sobrepeso e a deficiência física se tornou necessidade especial.

É nesse ponto que surge a dúvida, os politicamente corretos partem da teoria que o direito de uma pessoa termina a partir do momento que começa o do outro, se o indivíduo se sente ofendido é sábio que você guarde a adjetivação deste para você, não ofenda e ponto.

Esse argumento é aparentemente perfeito, frisa-se, aparentemente, pois os amantes da filosofia se questionam:

- Quem tem o poder de decidir o que é ofensivo ou não? Onde fica a liberdade de expressão? Alguém pode tirar do outro o direito de dizer o que pensa?

Tal corrente libertária compreende que a transformação ideológica de palavras é utilizada por governos com o intuito de coibir o direito de pensar, pois da mesma forma que o apartheid sul-africano substituiu "miscigenação" por "imoralidade", os Estados Unidos também utilizou o termo "guerra preventiva" para atacar o Iraque de forma unilateral.

Bom, se o governo utiliza os termos que deveriam ser politicamente corretos como eufemismo para arbitrariedades é uma reflexão que fica em aberto para que o leitor chegue as suas próprias conclusões.

Porém, a humilde e paradoxal escritora prefere acreditar que é necessário evitar falas que venham a aumentar o estigma social de determinados grupos que se encontram em estado de vulnerabilidade, como forma de evitar a marginalização e alcançar a igualdade material.

Ih, não sabe o que é igualdade material?

Então aguarde a próxima publicação.


xoxo


Referências


AXT, Gunter. Talking About North American Intellectual Tradition, Free Speech and Education with Camille Paglia. Interfaces Brasil/Canadá. Florianópolis/Pelotas/São Paulo, v. 18, n. 3, 2018, p. 193-213.


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